quarta-feira, 12 de abril de 2017

Falta de limites na Educação Familiar gera Indisciplina Escolar



             O tema indisciplina e a falta de limites são assuntos recorrentes na atualidade sendo uma temática bastante discutida entre pais responsáveis e educadores. Tal problemática ultrapassa o âmbito familiar e escolar, sendo explorados de forma sensacionalista pela mídia; os questionamentos são vários: será a falta de limites, indisciplina, hiperatividade ou apenas uma fase?


          Seja qual for o foco em questão ele nos remetem a refletir sobre o papel da família e da escola na formação da personalidade das crianças. Construir e resgatar princípios são desafios para pais, responsáveis, e a escola. Na busca de soluções, pais recorrem à escola que por sua vez, repassa à responsabilidade a família. Afinal de quem é o compromisso de impor limites a criança?


         Sobre esse aspecto (TAILLE, 2003) relata que para vivermos em grupo as restrições, limites, fronteiras, as normas são fundamentais para a boa convivência, o bem-estar social e o progresso da humanidade. Na sociedade existem limites normativos, que todo individuo deve seguir, são os que nos levam à dimensão do proibido. Já os físicos estão relacionados à dimensão do impossível, pois eles nos permitem ouvir música alta de madrugada, porém a lei dos homens proíbe. Neste caso a liberdade fica limitada em nome dos valores, pois as leis físicas permitem fazer; mas os normativos não. O que torna mais difíceis de serem cumpridos, porque são colocadas pela sociedade em prol de uma boa convivência. (TAILLE, 1996).


         Tanto os limites normativos quantos os limites físicos estão inseridos nos limites restritivos, que colocam a dimensão do que não é possível de ser realizado. São os NÃO, tão conhecidos que devem ser respeitados e não devem ser desobedecidos, quando estes são fundamentais se ditos para educar e direcionar o indivíduo a fazer algo pensando no bem-estar do próprio e dos membros que fazem parte da sociedade que está inserido. Em outras palavras, se nos deparamos com uma criança em situação de perigo frente a uma tomada, ou querendo pular de uma altura que oferece risco nosso impulso imediato será de impedi-lo: “Não faça”, “Não pode”.


            Faz parte da educação de uma criança, do processo civilizador do ser uma vez que ele convive com outras pessoas, dentro de um grupo social, a aplicação de limites. Atualmente vemos a ausência de limites nas crianças e adolescentes. É clara a falta de respeito ao próximo, no conviver em sociedade, e transgressão a todo tipo de regras, inclusive as mais simples. Desde ceder um lugar para um idoso, respeitar a ordem de chegada em uma fila entre outras. (TAILLE, 2003).



1. LIMITES



            De acordo com o dicionário Aurélio vejamos alguns conceitos de limites: linha de demarcação; raia; linha real ou imaginária que separa dois terrenos, divisa, fronteira, momento, data, ponto que não se deve ou não se pode ultrapassar. Já na área de educação, o conceito de limites está interligado às situações sociais, políticas e econômicas do país, podendo sofrer alterações já que esses fatores sociais se encontram em constantes mudanças. Taille (1996, p.7) entende que:


“Limite” é uma palavra que tem voltado à tona ultimamente. É empregada com freqüência de forma queixosa: “Essas crianças não tem limites!”, ou então, com um quê de autoritarismo “É preciso impor limites!” ou ainda como critica a família do vizinho ou dos alunos; “Esses pais não colocam limites!”. A obediência, o respeito, a disciplina, a retidão moral, a cidadania, enfim, tudo parece estar associado a essa metáfora. 

           Toda criança precisa desde cedo de pais coerentes e conscientes no que diz respeito a educar. A criança deve aprender logo cedo a ouvir o não e receber limites. Mas para isso é necessário que os pais estejam de acordo, que um não desautorize o limite cobrado pelo outro. Para Asha Phillips (1999) “pais que se recusam a dizer não nos momentos apropriados estão roubando de seus filhos à capacidade de exercitar suas emoções”. Por mais difícil que seja quem ama educa frase que é titulo de um dos livros de Tiba, o autor defende que essa geração é de “príncipes” e “princesas”, “com muito mais direitos do que deveres, mais liberdade que responsabilidade, mais receber que dar ou retribuir. Tais comportamentos refletem nos meios sociais, acostumados a serem tratados desta forma em suas casas; as crianças e adolescentes, também querem se tornar “príncipes sociais” extrapolando assim, o âmbito familiar, tornando os demais meios sociais tumultuados, agitados e desorganizados com sua indisciplina. Nós educadores não podemos nos omitir com a perda de limites, a bagunça se estabelece na sala de aula e desse modo o desequilíbrio se instala, deixando o professor desconcertado. As regras devem ser sempre claras e justas, respeitando as características próprias de cada um, estando explícitas naturalmente, sendo reconhecidas tanto por quem têm a função de estabelecer como pelos que devem cumpri-las. Porém os pais também devem concordar e aceitar as regras exigidas pela escola:

             A educação ativa formal é dada pela escola. Porém, a educação global é feita a oito mãos: pela escola, pais e pelo próprio adolescente. Se a escola exige o cumprimento de regras, mas o aluno indisciplinado tem o apoio dos pais, acaba funcionando como um casal que não chega a um acordo quanto à educação da criança. O filho vai tirar o lucro da discordância pais/escola da mesma forma que se aproveita das divergências entre o pai e a mãe. (TIBA, 1996, p. 140)


            O limite e a organização da rotina são essenciais na formação da criança. Segundo   Lobo (1997, p. 524) “os limites são de importância fundamental na educação, porque eles influem diretamente no desenvolvimento da personalidade, estabelecendo o comportamento das crianças e facilitando sua socialização”.


            Cabe aos pais darem inicio ao processo de socialização ensinado a criança a falar, a andar, a respeitar o outro entre outras coisas, mas, nada disso terá sentido se a socialização não se der de forma coletiva mesmo no âmbito familiar, pois a criança precisa aprender a respeitar seus familiares, utilizar a fala na relação com o outro e moldar seu comportamento diante das expectativas e também devem ser respeitada. Comumente presenciamos cenas em que a criança bate, chuta, grita e empurrar os pais, entre outras atitudes para conseguir ou contestar algo, porém tais procedimentos não devem ser permitidos, pois sabemos que as experiências vividas com seus familiares servirão de modelo quando a mesma for conviver em outros ambientes sociais. Entretanto também há no núcleo familiar desrespeitos a individualidade e direitos da criança, por isso a socialização deve ser coletiva gerando um ambiente harmonioso e civilizador em que haja respeito recíproco.


 

2. A FAMÍLIA E SUA RELAÇÃO COM A AUTORIDADE E O AUTORITARISMO



          Retornando as situações que foram observadas e citadas no inicio do trabalho sobre a fala de pais em relação aos comportamentos inadequados de seus filhos como: “Eu não sei mais o que fazer”, críticas a postura do educador: “Tenha mais pulso, pode colocar de castigo” e ameaças físicas ou verbais percebem-se em tais procedimentos demonstrações de autoritarismo como forma de estabelecer sua autoridade.


Tiba (1996, p 13) explica:

Autoridade é algo natural que deve existir sem descargas de adrenalina, seja para se impor ou se submeter, pois é reconhecida espontaneamente por ambas as partes. Assim, o relacionamento se desenvolve sem atropelos. O autoritarismo, ao contrário, é uma imposição que não respeita as características alheias, provocando submissão e mal-estar, tanto na adrenalina do que impõe, quanto na depressão do que se submete


         Em nosso cotidiano presenciamos atitudes e até agimos de forma autoritária para conseguirmos que as crianças se comportem e sejam disciplinadas, chegando ao ponto de nos exceder, usando palavras e gestos grosseiros, até violentos; uma maneira equivocada de exercer a nossa autoridade, como Tiba (1996) afirma, o autoritarismo é o contrário da autoridade, pois, ela deve dar-se de forma espontânea como um entendimento de ambas as partes, demonstrando respeito daquele que impõem e do que é submetido. Assim as relações interpessoais devem ter como base, além do respeito, à confiança e o amor, considerando as diferenças e as características pessoais de cada um, valorizando a auto-estima do outro. Ele continua (1996, p. 13): “filhos precisam de pais para serem educados; alunos, de professores para serem ensinados. Estes até podem ser amigos, porém não mais amigos do que pais; não mais amigos do que professores”.


3. DISCIPLINA E FATORES DE INTERFERÊNCIA.


          Partindo dos pressupostos já abordados, analisaremos os conceitos de disciplina e indisciplina. Vejamos as definições do Dicionário Aurélio sobre Disciplina: Regime de ordem imposta ou livremente consentida; Ordem que convém ao funcionamento regular duma organização (militar, escolar, etc.); Relações de subordinação do aluno ao mestre ou ao instrutor; Observância de preceitos ou normas; Submissão a um regulamento. Já indisciplina é um procedimento, ato ou dito contrário à disciplina; desobediência; desordem; rebelião.


            A disciplina é fundamental à educação e deve dar-se de forma tranqüila e saudável, pois quem educar não pode se negar a corrigir comportamentos inadequados, devendo apontar os limites essenciais para levar as crianças e os jovens a se desenvolverem bem, conduzindo-os assim a situa-se no mundo de forma equilibrada. Içami Tiba (1996, p. 145) define disciplina como: “o conjunto de regras éticas para se atingir um objetivo. A ética é entendida, aqui, como o critério qualitativo do comportamento humano envolvendo e preservando o respeito ao bem estar biopsicossocial”. O autor aponta como causas da indisciplina na escola as características pessoais do aluno (distúrbios psiquiátricos, neurológicos, deficiência mental, distúrbios de personalidade, neuróticos), características relacionais (distúrbios entre os próprios colegas, distorções de auto-estima) e os desmandos de professores. Para o autor (1996, p. 99), “a disciplina escolar é um conjunto de regras que devem ser obedecidas para o êxito do aprendizado escolar”. Sendo assim é vista como uma qualidade de relacionamento humano entre o corpo docente e os alunos em uma sala de aula, portanto, na escola.


          Deste modo como em qualquer relacionamento humano, é necessário levar em conta as características de cada parte envolvida: aluno, professor e o ambiente.


          Da parte do aluno, o autor coloca que este é a peça chave para a disciplina e o sucesso de aprendizado, pois a maior dificuldade que ele encontra, está situada na falta de motivação que o leve a estudar. O autor diz ainda que o sistema de primeiro e segundo grau é um sistema aprovativo, onde o aluno somente deseja "passar de ano", cabendo ao professor procurar maneiras para despertar sua curiosidade e a vontade de aprender.


         Agora partindo dos preceitos citados entorno das características pessoais dos alunos e relacionais, voltaremos nossos olhares para o comportamento daqueles alunos mencionados no inicio que se demonstram apáticos ou agitados, não conseguindo se concentrar para realizar as atividades.


         Em nosso estágio também nos deparamos com esse tipo de aluno, juntamente com a professora regente fomos tendo um olhar diferenciado e registrando seus comportamentos, elaborando assim, uma ficha descritiva. Depois os pais foram chamados a escola e colhemos mais informações, a fim de ter um respaldo maior. Os relatórios foram repassados para psicopedagoga que direcionou os pais a levarem seus filhos ao clinico para ser feita uma avaliação diagnóstica de forma responsável. Pois notamos atualmente certo modismo preocupante, em que educadores e pais fazem diagnóstico sem nenhum fundamento, relacionando à falta de disciplina como sendo causado por um TDAH.


         É comum ouvirmos a frase: “esse menino é hiperativo”, utilizada para justificar comportamentos fora dos padrões estabelecidos ou esperados pelo meio social onde estão inseridos, sendo uma desculpa leviana para encobrir o despreparo do professor e dos pais de estabelecer sua autoridade. Pais e professores não podem diagnosticar tal problema sem uma investigação profissional, apenas um neurologista juntamente com avaliações de outros profissionais da área da psicologia pode chegar a essa conclusão diagnostica. Crianças com TDAH e outras disfunções psíquicas devem passar por um tratamento sério e longo, segundo a ABDA (Associação Brasileira de Déficit de Atenção), o TDAH é um transtorno de desenvolvimento do autocontrole que consiste em problemas com os períodos de atenção, os controles de impulso e nível de atividade. Não há comprovação cientifica, mas pode ser causada por um desequilíbrio das substâncias químicas do cérebro, ou neurotransmissores reguladores da conduta de forma genética. De modo que esse desequilíbrio bioquímico impede focar a atenção numa determinada atividade.


           São vários os distúrbios comportamentais e cognitivos com sintomas semelhantes ao TDAH. Antes de rotular, devemos saber como agir, identificar e encaminhar os pais, e só depois da avaliação profissional é que vamos saber como lidar com crianças excessivamente desconcentradas e agitadas.


        Usando o nosso estágio como um laboratório para esse trabalho, procuramos a coordenadora pedagógica da Instituição para tomar conhecimento das análises das crianças que foram encaminhadas para a avaliação clinica e, das três, apenas uma foi diagnosticada como sendo hiperativa com tratamento medicamentoso, a outra estava tendo problemas familiares, pois os pais além de separados, a mãe estava morando em outro país e o pai em outro estado e a criança estava sobre o cuidado da avó. Temos aí nitidamente uma carência afetiva. A terceira apesar da resistência da mãe em assumir o motivo do seu comportamento agressivo, a psicopedagoga chegou à conclusão que era a falta de limites, pois esta questão não foi bem trabalhada na sua educação familiar. Ao presenciar cenas de violência verbal e física entre os pais, a mãe como forma de compensar a carência afetiva do filho, fazia todas suas vontades e ficava do seu lado, mesmo quando ele agredia os colegas, chegando ao ponto de trocá-lo de turno. Contudo foram detectados outros casos também nas demais salas da escola, tanto de TDAH como de distúrbios comportamentais e cognitivos.


          Da parte do professor, o autor coloca como sendo importante a consciência que este deve ter de ensinar bem, sua postura e didática. De acordo com ele “o professor é essencial para a socialização comunitária”. Tem basicamente quatro funções: professor propriamente dito, coordenador de grupo de alunos, membro do corpo docente e empregado de uma instituição. Se faltar didática, postura, autoridade, domínio e tolerância ao professor, ele também contribui para a indisciplina na sala de aula. Partindo desses preceitos Tiba (1996 p. 111) cita que:


Ser professor não significa estar sempre certo, não ter problemas psicológicos, ser sempre vítima dos alunos ou estar inocente em todas as situações ocorridas nas classes. Como qualquer outro ser humano, ele está sujeito à psicologia e psicopatologia humana, isto é, a apresentar também distúrbios psiquiátricos, psicológicos, orgânicos, sociais etc.

 

           É notório que havendo desmando por parte do professor, quando faz uso de sua autoridade, a fim de conseguir benefícios pessoais, posicionando-se como o detentor do saber e desmerecendo os conhecimentos dos alunos, isso gera um mal-estar, tornando a aula inviável e não interessante. Tal postura permite que a indisciplina instale-se na sala de aula.


           Paulo Freire (1985. p. 19), coloca que a disciplina implica em uma relação entre o professor e o aluno, em que a autoridade esta situada na liberdade sadia de ambos. Entretanto a disciplina é uma tensão permanente, pois a autoridade e a liberdade que existem em seu interior são o que determinam o equilíbrio que a mesma possui, portanto, o autor destaca que, a disciplina é uma "relação radicalmente democrática na qual, porém, jamais o educador será igual ao educando, uma vez que eles possuem diferenças".


           Como último fator de interferência na disciplina existe a questão do ambiente, causando problemas da seguinte forma: salas de aulas numerosas e sem ventilação, barulhentas, onde se comunicar é impossível, etc. Elementos estes, que contribuem também para o não cumprimento as regras estabelecidas.


            Existem outros fatores em nosso estudo que foram observados na prática do estágio e que o autor também destaca: Instituições que vê o aluno como cliente sempre lhe dando razão, independente do fato do mesmo está certo ou não; greves e carência de professores nas escolas públicas, idades cronológicas semelhantes e desenvolvimentos emocionais não semelhantes; dinâmicas familiares distintas; valores pessoais; alunos transferidos de outras escolas; alunos que não sentem simpatia pelo professor fazendo de tudo para prejudicá-lo, etc.


            Percebemos através desse estudo que os assuntos ligados a falta de limite no ambiente familiar e sua interferência na disciplina escolar, além do papel do professor, são temas complexos, pois a disciplina pode variar de acordo com as condições específicas a que ela se encontra.


           Somente somos levados a concluir que a falta de limites e a disciplina são atos complementares, isto é, estão amarradas a como se dar as características das relações humanas entre pais e filhos, professor e aluno e escola e família. Assim vimos então à vastidão de opiniões e fatores do qual o tema está envolvido.


            Este tipo de constatação nos leva a perceber que a família desempenha um papel de suma importância na formação da personalidade da criança, pois é nela que a criança assimila valores que permanecem por toda a sua vida sendo a base para uma boa educação. Conseqüentemente, os pais são os modelos básicos para as crianças e dão segurança a elas, ou seja, as crianças sabem que podem contar com eles. Isso pode diminuir o risco de serem crianças indisciplinadas nos ambientes sociais, ficando claro para nós que em todos os grupos sociais haverá problemas de indisciplinas, contudo, esta questão pode ser amenizada caso sejam reavaliadas as formas de como melhorar as relações afetivas e de autoridade entre as crianças. Pais, professores e os demais grupos sociais, encarando apenas essas questões não só como sendo de ordem comportamental, mas também um problema de estrutura social que afeta as relações.


            É através do melhoramento da estrutura familiar, da forma de educar os filhos, além do contexto social, da qualificação do professor e dos funcionários da escola, que se poderão encontrar estratégias para ajuda as crianças e adolescentes a superarem suas reações de agressividade e defensivas frente às varias situações do dia a dia.

 

4. EDUCADOR, ESCOLA E SOCIEDADE FRENTE À INDISCIPLINA E POSSÍVEIS MELHORIAS



           Alguns educadores e escolas também terminam contribuindo quando passam a ver o aluno como cliente, e deixam de agir de forma mais enérgica por medo de desagradar pais e alunos, o que favorece que os mesmos tenham mais domínio em sala do que seus educadores.


           O especialista em psicologia do Desenvolvimento Moral Yves De La Taille, diz que nenhum comportamento é obtido aleatoriamente: “As crianças e os jovens são reflexo da sociedade em que vivem e não uma tribo de alienígenas misteriosamente desembarcadas em nosso mundo, com costumes bárbaros adquiridos não se sabe de onde”. Segundo ele nossa sociedade precisa de limites, regras e ordem para as condutas de nossos jovens e crianças. Mas onde a nossa sociedade, pais e professores se perderam nesse processo?


          Tiba (1999, p. 12) nos esclarece que a nossa geração viveu as questões ligadas à disciplina de forma oprimida e sofrida. A geração de nossos pais educou numa autoridade vertical, de maneira patriarcal, onde os filhos eram obrigados a cumprir tudo que eles ditavam sem direito a questionarem mesmo sem aceitar. Com isso a nossa geração decidiu modificar tal maneira de impor limites aos filhos, que contribuiu para desvalorização dos valores da primeira passando a ser tolerante aos atos de indisciplina e não aceitação das regras de forma passiva frente aos comportamentos inadequados de seus filhos, por exagero de ter medo de causar traumas, caso se colocasse mais enérgicos em sua educação.


          Algumas correntes difundidas pela psicologia também conduziram a nossa geração a adotar tal postura, divulgando esclarecimentos sobre como a educação muito repressiva pode frustrar as crianças e causar tais traumas. “Frases como: “Não reprima seu filho”, “sejam mais amigos de seus filhos” ou “Dê mais liberdade a seus filhos”, desencadeando assim, a postura de um modelo horizontal de educar, em que os pais e filhos têm os mesmos direitos.


           Nessa perspectiva podemos afirmar que, as rápidas mudanças da sociedade geraram desníveis comportamentais nessa geração e nas seguintes, com um custo na educação que ainda não podemos definir. Ao confundir a autoridade com autoritarismo foi criada, como define Tiba, uma geração de “Príncipes” e “Princesas”.


           Entretanto outra condição a ser pensada é a carência afetiva de algumas crianças, seja por falta da presença dos pais em suas vidas ou por conta do corre-corre dos dias atuais. Em virtude da cobrança do compromisso profissional, pais terminam deixando em segundo plano a educação de seus filhos, colocando sobre cuidados de babás, creches, e escolas particulares ou públicas, responsabilizando-as a educá-las, permitindo dessa forma que a individualidade também chegasse ao núcleo familiar, superando os interesses coletivos. Como já falamos, criamos um sentimento de culpa para compensar tal falta de tempo, passando a sermos permissíveis em demasia. Em provérbio diz: ensina seu filho o caminho em que deve andar e ele nunca desviará dele.



4.1 POSSÍVEIS MELHORIAS

 

            Em suma podemos ressaltar que a família é o ponto preponderante em relação às primeiras transmissões de regras que servirão de alicerce na vida da criança, assim ela precisa ser educada com amor e respeito, mas, as regras e normas de convivência devem ser cobradas desde cedo de forma clara e justa por quem as educa no núcleo familiar sem autoritarismo. Ao passar a conviver em outros meios sociais, essas cobranças devem dar-se da mesma forma, no caso da escola é necessário também obter informações preliminares sobre sua vida, como forma de identificar problemas pré-existentes e como medida de prevenção.


           O educador como parte integrante da escola deve trabalhar zelando pelo respeito e autonomia do estudante evitando qualquer visão preconceituosa por parte de qualquer membro da instituição. E estabelecendo sua autoridade de forma afetiva, buscando despertar no aluno interesse pelo saber, através de aulas bem elaboradas e criativas, em que o sócio-cultural do aluno esteja inserido procurando resgatar valores perdidos.


            Família, escola e sociedade devem andar em parceria a favor de uma educação de qualidade e inclusiva, em que todos devem exercer sua cidadania. Aliado a isso, criar e educar uma criança é uma arte, o que nos faz refletir sobre como conduzi-la da melhor maneira para que ela consiga se integrar nos meios sociais de forma bem sucedida.

 

            Entretanto, ao final desta pesquisa, a nossa intenção não é de encerrar o assunto, mas de mostrar que existem desafios que podem ser superados, e que paulatinamente, os problemas encontrados no caminho da educação são solucionáveis com muito trabalho e dedicação, pois o tema abordado no ponto de vista conceitual necessita ser mais explorado, e na prática, necessita que os educadores, pais e a sociedade de um modo geral, unam-se em uma só força, para poder decifrar o enigma da complexidade que envolve “A família e a escola: questão da falta de limites na educação familiar gera indisciplina escolar”.


          Portanto, as exigências impostas pelas mudanças sociais são crescentes e desafiadoras, no entanto, precisa aliar a capacidade técnica a uma permanente renovação, e a um alto padrão de criatividade como elementos-chaves para poder enfrentar os desafios e ter êxito em seus ofícios. Por isso, a contribuição deste estudo é de reflexão, questionamentos e ampliação da discussão acerca do contexto, colocando em questão pontos que ainda não foram abordados e as experiências vividas através dos nossos estágios que foram de muita relevância para nossa formação acadêmica e sem dúvida irão complementar o nosso percurso profissional, pois tudo que assimilamos em nosso curso de pedagogia, servirão para serem aplicados em nossa prática pedagógica, a fim de contribuir na formação sociocultural e cognitiva de nossos educandos, tornando-os formadores de opiniões.



REFERÊNCIAS



ABDA - Associação Brasileira de Déficit de Atenção. Disponível em . Acesso em 10 janeiro. 2010.


A FAMILÍA & a Escola: a questão dos limites em xeque. Construindo e Aprendendo Natureza e Sociedade Manual do Professor-Educação Infantil: 5 anos, São Paulo: Editora Construir.


CAETANO, Maria Luciana. A difícil arte de educar. Psique Ciência & Vida Especial, São Paulo, n.2, Ano I, p. 52-57.


MUNHOZ, Maria Luiza Puglisi. Sem Limites. Psique Ciência & Vida Especial, São Paulo, n.2, Ano I, p. 34-37.


DE LA TAILLE, Yves. A Indisciplina e o sentimento de vergonha. In: Aquino, Julio Groppa (org). Indisciplina na escola: Alternativas teóricas e práticas. São Paulo: Summus, 1996.


DE LA TAILLE, Yves. Limites: três dimensões educacionais. 3. Ed. São Paulo: Ática, 2002.

TIBA, Içami. Disciplina – Limite na medida certa. São Paulo: Editora Gente, 1996. 8ª edição. 


TIBA, Içami. Conversas com Içami Tiba: Volume 2. São Paulo: Editora Integrare, 2008.

Fonte: http://diariode1educadora.blogspot.com.br/2011/05/familia-escola-questao-da-falta-de.html

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Marchinhas de Carnaval para baixar!

Então, preparados para pular o carnaval?? Ainda não? Então para facilitar, segue algumas marchinhas de carnaval pra você baixar e se divertir...

Beijoca da Profe Sheila



Link http://www.4shared.com/rar/lvEgUweB/Carnaval.html






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quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Falando de Advento para as crianças!

Cantinho Catequético

Falando de Advento para crianças!

1. História do Advento


Não é fácil precisar a história e o primitivo significado do Advento; além disso,as noticias sobre suas verdadeiras origens são parcas .É necessário distinguir elementos que dizem respeito a práticas ascéticas e a outras, de caráter estritamente litúrgico; um Advento que é preparação para o Natal e um Advento que celebra a vinda gloriosa de Cristo ( Advento escatológico). No Oriente, permaneceu quase ignorado um período de preparação ao Natal.



Portanto, o Advento é próprio do Ocidente. São descartadas totalmente as teorias que atribuem o Advento a São Pedro e sua existência aos tempos de Tertuliano e São Cipriano.O testemunho mais antigo encontra-se em uma passagem de Santo Hilário (por volta de 366)que diz:"Sancta Mater Ecclesia Salvatoris adventus annuo recursu per trium septimanarum sacretum spatium sivi indicavit"(CSEL,65,16)"A santa mãe igreja oferece um espaço sagrado de três semanas por ano para a vinda do Salvador" .



O duplo caráter do Advento, que celebra a espera do Salvador na glória e a sua vinda na carne,emerge das leituras bíblicas festivas .O primeiro domingo orienta para parusia final,o segundo e o terceiro chamam a atenção para a vinda cotidiana do Senhor; o quarto domingo prepara-nos para a natividade de Cristo ao mesmo tempo fazendo dela a teologia e a história. Portanto, a liturgia contempla ambas as vindas de Cristo, em íntima relação entre si. 



2. Espiritualidade do Advento



Toda a liturgia do Advento é apelo para se viver alguns comportamentos essenciais do cristão: a expectativa vigilante e alegre, a esperança, a conversão, a pobreza.



a) A expectativa vigilante e alegre caracteriza sempre o cristão e a Igreja, porque o Deus da revelação é o Deus da promessa, que manifestou em Cristo toda a sua fidelidade ao homem: "Todas as promessas de Deus encontram nele seu sim" ( 2 Cor 1,20). A esperança da Igreja é a mesma esperança de Israel, mas já realizada em Cristo. 



Os nossos primeiros irmãos na fé, como atesta a Didaqué, imploravam: "Que o Senhor venha e passe afigura deste mundo. Maranatha. Amém". Assim termina o livro do Apocalipse e toda a escritura:"Aquele que atesta essas coisas diz: Sim! venho muito em breve. Amém! Vem Senhor Jesus. A graça do Senhor Jesus esteja com todos. Amém"(Ap 22,20).



A expectativa vigilante é acompanhada sempre pelo convite à alegria. O Advento é tempo de expectativa alegre porque aquilo que se espera certamente acontecerá. Deus é fiel. A vinda do Salvador cria um clima de alegria que a liturgia do Advento não só relembra, mas quer que seja vivida.O Batista, diante de Cristo presente em Maria, salta de alegria no seio da mãe.O nascimento de Jesus é uma festa alegre para os anjos e para os homens que ele vem salvar (cf. Lc 1, 44.46-47; 2,10.13-14).



b) No Advento, toda a Igreja vive a sua grande esperança. O Deus da revelação tem um nome:"Deus da esperança"(Rm15,13).



Não é o único nome do Deus vivo, mas é um nome que o identifica como "Deus para conosco".O Advento é o tempo da grande educação à esperança: uma esperança forte e paciente; uma esperança que aceita a hora da provação, da perseguição e da lentidão no desenvolvimento do Reino; uma esperança que confia no Senhor e liberta das impaciências subjetivistas e do frenesi do futuro programado pelo homem.



Na convocação ao testemunho da esperança, a Igreja, no Advento, é confortada pela figura de Maria, a mãe de Jesus.Ela que "no céu, glorificada em corpo e alma, é a imagem e a primícia da Igreja...brilha também na terra como sinal de segura esperança e de consolação para o povo de Deusa caminho, até que chegue dia do Senhor" (cf. 2 Pd 3,10).



c) Advento ,tempo de Conversão. Não existe possibilidade de esperança e de alegria sem retornar ao Senhor de todo coração, na expectativa da sua volta.A vigilância requer luta contra o torpor e a negligência; requer prontidão e, portanto, desapego dos prazeres e bens terrenos. O cristão, convertido a Deus, é filho da luz e, por isso, permanecerá acordado e resistirá às trevas, símbolo do mal, pois do contrário corre o risco de ser surpreendido pela parusia. 



Esse comportamento de vigilante espera na alegria e na esperança exige sobriedade, isto é, renúncia aos excessos e a tudo aquilo que possa desviar-nos da espera do Senhor.A pregação do Batista, que ressoa no texto do evangelho do segundo domingo do Advento, é apelo para a conversão, a fim de preparar os caminhos do Senhor.



O espírito de conversão , próprio do Advento, possui tonalidades diferentes daquelas relembradas na Quaresma. A substância é essencialmente a mesma, mas, enquanto a Quaresma é marcada pela austeridade da reparação do pecado, o Advento é marcado pela alegria da vinda do Senhor.



d) Enfim, um comportamento que caracteriza a espiritualidade do Advento é o do pobre. Não tanto o pobre em sentido econômico, mas o pobre entendido em sentido bíblico: aquele que confia em Deus e apóia-se totalmente nele. Estes anawîm , como os chama a Bíblia, São os mansos e humildes , porque as suas disposições fundamentais são a humildade, o temor de Deus, a fé. 



Eles são objeto do amor benévolo de Deus e constituem as primícias do "povo humilde"( cf. Sf 3,12) e da "Igreja dos pobres" que o Messias reunirá. Jesus proclamará felizes os pobres e neles reconhecerá os herdeiros privilegiados do Reino, ele mesmo será pobre. Belém, Nazaré, mas sobretudo a cruz, são diversas formas com que Cristo manifestava-se como autêntico "pobre do Senhor". Maria emerge como modelo dos pobres do Senhor, que esperam as promessas de Deus, confiam nele e estão disponíveis, com plena docilidade, à atuação do plano de Deus. 

terça-feira, 25 de outubro de 2016

O que é Dislexia?


Tudo que você precisa saber sobre dislexia...

A definição mais utilizada, segundo a ABD é a de 1994 da International Dyslexia Association (IDA): “Dislexia é um dos muitos distúrbios de aprendizagem. É um distúrbio específico de origem constitucional caracterizado por uma dificuldade na decodificação de palavras simples que, como regra, mostra uma insuficiência no processamento fonológico. Essas dificuldades não são esperadas com relação à idade e a outras dificuldades acadêmicas cognitivas; não são um resultado de distúrbios de desenvolvimento geral nem sensorial. A dislexia se manifesta por várias dificuldades em diferentes formas de linguagem freqüentemente incluindo, além das dificuldades com leitura, uma dificuldade de escrita e soletração.”

Em 2003, o Annals of Dyslexia, elaborado pela IDA, propôs uma nova definição: “Dislexia é uma dificuldade de aprendizagem de origem neurológica. É caracterizada pela dificuldade com a fluência correta na leitura e por dificuldade na habilidade de decodificação e soletração. Essas dificuldades resultam tipicamente do déficit no componente fonológico da linguagem que é inesperado em relação a outras habilidades cognitivas consideradas na faixa etária.” Tal definição contou com a participação de vários profissionais, entre eles: Susan Brady, Hugh Catts, Emerson Dickman, Guinenere Éden, Jack Fletcher, Jeffrey Gilger, Robin Moris, Harley Tomey e Thomas Viall.

O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-IV (1995) caracteriza a dislexia como comprometimento acentuado no desenvolvimento das habilidades de reconhecimento das palavras e da compreensão da leitura. O diagnóstico é realizado somente se esta incapacidade interferir significativamente no desempenho escolar ou nas atividades da vida diária (AVD’s) que requerem habilidades de leitura. A leitura oral no disléxico é caracterizada por omissões, distorções e substituições de palavras e pela leitura lenta e vacilante. Neste distúrbio, a compreensão da leitura também é afetada.

Fonseca (1995), coloca que a dislexia trata-se de uma desordem (dificuldade) manifestada na aprendizagem da leitura, independentemente de instrução convencional, adequada inteligência e oportunidade sócio-cultural. E, portanto, dependente de funções cognitivas, que são de origem orgânica na maioria dos casos.

Condemarim (1986), expressa seu pensamento sobre dislexia dizendo que é um conjunto de sintomas reveladores de uma disfunção parietal (o lobo do cérebro onde fica o centro nervoso da escrita), geralmente hereditário, ou às vezes adquirida, que afeta a aprendizagem da leitura num contínuo que se estende do leve sintoma ao severo. É freqüentemente acompanhada de transtorno na aprendizagem da escrita, ortografia, gramática e redação.

Conforme ressalta Myklebust (1987), a dislexia representa um déficit na capacidade de simbolizar, começa a se definir a partir da necessidade que tem a criança de lidar receptivamente ou expressivamente com a representação da realidade, ou antes, com a simbolização da realidade, ou poderíamos também dizer, com a nomeação do mundo.

Segundo um levantamento feito pela Associação Brasileira de Dislexia (ABD), em média 40% dos casos diagnosticados na faixa mais crítica, entre 10 a 12 anos, são de grau severo, 40% são de grau moderado e 20% de grau leve.

Atualmente observasse um fenômeno de “vulgarização”/generalização do termo dislexia, qualquer distúrbio de linguagem apresentado pela criança, logo é qualificado como dislexia, tanto pelos pais como pela escola. O problema nem sempre está na criança e sim nos processos educacionais, sob a responsabilidade familiar, ou nos processos formais de aprendizagem, sob incumbência da instituição escolar. Além dos problemas de ensinagem, temos também a alfabetização precoce, cada vez mais as crianças estão menos prontas para iniciar o processo e são identificadas dificuldades de aprendizagem que, na realidade, não existem.

Lima (2002), enfatiza que todo processo de aprendizagem está articulado com a história de cada indivíduo, e o ser humano aprende mais facilmente quando o novo pode ser relacionado com algum aspecto da sua experiência prévia, com o conhecimento anterior, com alguma questão que o indivíduo se colocou, com imagens, palavras e fatos que estão em sua memória, com vivências culturais.

Ao que parece, por trás desses problemas específicos de aprendizagem, existe sempre um fator biológico, hereditário, isto é, há uma disposição natural de a mesma dificuldade ocorrer em outros membros da família. Coll (1995), descreve isso dizendo que quando falamos de problemas de linguagem, não podemos nos esquecer de buscar no ambiente social da criança todos os dados que nos permitam compreender melhor as dificuldades que esta apresenta.

A neurologista inglesa Guinevere Éden, do Centro de Investigação Neurológica de Georgetown, fez uma pesquisa com cérebros de disléxicos na qual ela constatou que uma das características comuns às crianças disléxicas é a dificuldade em reconhecer em que direção os objetos se movem. Por meio de exames de ressonância magnética funcional, foi possível verificar que o cérebro de um portador de dislexia é anatômico e fisiologicamente diferente de uma pessoa que não sofre do distúrbio. De acordo com ela, ficou claro que o hemisfério direito do cérebro, não relacionado à linguagem, apresenta maior atividade do que o esquerdo. Para superar essa condição é preciso aprender como compensá-la. (Fonte: http://www.medsys.com.br/ultimas_not/noticias.php?cd_noticia=577)

Rotta (2006), as diferenças estruturais entre o cérebro das pessoas com dislexia e o das pessoas sem dislexia concentram-se fundamentalmente no plano temporal. Além da simetria incomum dos planos temporais, o cérebro de leitores disléxicos tem alterações na citoarquitetura e alterações do cerebelo e suas vias. Isso ocorre provavelmente porque houve algum tipo de agressão nos primeiros estágios do desenvolvimento. Finalmente, os neurônios de tecido cerebral dos leitores disléxicos parecem ser menores que a média, pelo menos em algumas áreas de cérebro (por exemplo, o tálamo). O tamanho menor dos neurônios talâmicos pode muito bem estar ligado às anormalidades tanto do sistema visual quanto no sistema auditivo de indivíduos com dislexia. O estudo de Galaburda e colaboradores, em 2001, demonstrou experimentalmente que as alterações na citoarquitetura do córtex temporal e dos tálamos determinam um processamento lento dos sons.

Dentro do quadro da dislexia devemos estar atentos ao histórico familiar para parentes próximos que apresentem a mesma deficiência de linguagem. Também a aspectos pré, peri e pós-natal se o parto foi difícil, se pode ter ocorrido algum problema de anoxia ( asfixia relativa), prematuridade do feto (peso abaixo do normal), ou hipermaturidade ( nascimento passou da data prevista para o parto). Se a criança adquiriu alguma doença infecto-contagiosa, que tenha produzido convulsões ou perda de consciência, se ocorreu algum atraso na aquisição da linguagem ou perturbações na articulação da mesma, se houve um atraso para andar, e algum problema de dominância lateral (uso retardado da mão esquerda ou direita), entre outros.

Dentro da etiologia da dislexia sempre deverão ser considerados dois aspectos, que podem estar isolados ou relacionados, como também serem complementares: causas genéticas e causas adquiridas. A etiologia pode ser dividida em : genética, adquirida e multifatorial ou mista.

2. Tipos de Dislexia:

A dislexia pode ser classificada de várias formas, de acordo com os critérios usados para classificação.

Alguns autores classificam a dislexia tendo como base testes diagnósticos, fonoaudiológico, pedagógicos e psicológicos.

Conforme Ianhez (2002), a dislexia pode ser classificada em:

2.1 Dislexia disfonética: dificuldades de percepção auditiva na análise e síntese de fonemas, dificuldades temporais, e nas percepções da sucessão e da duração ( troca de fonemas – sons, grafemas – diferentes, dificuldades no reconhecimento e na leitura de palavras que não têm significado, alterações na ordem das letras e sílabas, omissões e acréscimos, maior dificuldade na escrita do que na leitura, substituições de palavras por sinônimos);

2.2 Dislexia diseidética: dificuldade na percepção visual, na percepção gestáltica, na análise e síntese de fonemas ( leitura silábica, sem conseguir a síntese das palavras, aglutinações e fragmentações de palavras, troca por equivalentes fonéticos, maior dificuldade para a leitura do que para a escrita);

2.3 Dislexia visual: deficiência na percepção visual; na coordenação visomotora (não visualiza cognitivamente o fonema);

2.4 Dislexia auditiva: deficiência na percepção auditiva, na memória auditiva (não audiabiliza cognitivamente o fonema).

2.5 Dislexia mista: que seria a combinação de mais de um tipo de dislexia.

Para Moojen apud Rotta (2006), é possível classificar a dislexia em três tipos:

2.1.1 Dislexia fonológica (sublexical ou disfonética): caracterizada por uma dificuldade seletiva para operar a rota fonológica durante a leitura, apresentando, não obstante, um funcionamento aceitável da rota lexical; com freqüência os problemas residem no conversor fonema-grafema e/ou no momento de juntar os sons parciais em uma palavra completa. Sendo assim, as dificuldades fundamentais residem na leitura de palavras não-familiares, sílabas sem sentido ou pseudopalavras, mostrando melhor desempenho na leitura de palavras já familiarizadas. Subjacente a essa via, encontra-se dificuldades em tarefas de memória e consciência fonológica. Considerando o grande esforço que fazem para reconhecer as palavras, portanto, para manter uma informação na memória de trabalho, são obrigados a repetir os sons para não perdê-los definitivamente. Como conseqüência, toda essa concentração despendida no reconhecimento das palavras acarreta em dificuldades na compreensão do que foi lido.

2.2.1 Dislexia lexical (de superfície): as dificuldades residem na operação da rota lexical (preservada ou relativamente preservada a rota fonológica), afetando fortemente a leitura de palavras irregulares. Nesses casos, os disléxico lêem lentamente, vacilando e errando com freqüência, pois ficam escravos da rota fonológica, que é morosa em seu funcionamento. Diante disso, os erros habituais são silabações, repetições e retificações, e , quando pressionados a ler rapidamente, cometem substituições e lexicalizações; às vezes situam incorretamente o acento prosódico das palavras.

2.3.1 Dislexia Mista: nesse caso, os disléxicos apresentam problemas para operar tanto com a rota fonológica quanto com a lexical. São assim situações mais graves e exigem um esforço ainda maior para atenuar o comprometimento das vias de acesso ao léxico.

Entre as consequências da dislexia encontramos a repetência e evasão, pois se o problema não é detectado e acompanhado, a criança não aprende a ler e escrever. Acontece também o desestímulo, a solidão, a vergonha, e implicações em seu autoconceito e rebaixamento de sua autoestima, porque o aluno perde o interesse em aprender, se acha incapaz e desprovido de recursos intelectuais necessários para tal. Pode apresentar uma conduta inadequada com o grupo, gerando problemas de comportamento, como agressividade e até envolvimento com drogas. Como podemos constatar que as seqüelas são as mais abrangentes, em todos os setores da vida. Começa com um distúrbio de leitura e escrita e acaba com um problema que pode durar a vida inteira, como depressão e desvio de conduta.

3. A dislexia e a alfabetização:

Lima (2002), coloca que é função da escola ampliar a experiência humana, portanto a escola não pode ser limitada ao que é significativo para o aluno, mas criar situações de ensino que ampliem a experiência, aumentando os campos de significação.

Do ponto de vista do desenvolvimento e da construção de significados, só pode ser significativo para a pessoa aquilo do qual ela possui um mínimo de experiências e de informação.

Por isso, o disléxico precisa olhar e ouvir atentamente, observar os movimentos da mão quando escrever e prestar atenção aos movimentos da boca quando fala. Desta maneira, a criança disléxica associará a forma escrita de uma letra tanto com seu som como com os movimentos, pois falar, ouvir, ler e escrever, são atividades da linguagem.

Fonseca (1995), retrata muito bem isso quando diz que uma coisa é a criança que não quer aprender a ler, outra é a criança que não pode aprender a ler com os métodos pedagógicos tradicionais. Não podemos assumir atitudes reducionistas que afirmam que a dislexia não existe. De fato, a dislexia é muito mais do que uma dificuldade na leitura. A dislexia normalmente não aparece isolada, ela surge integrada numa constelação de problemas que justificam uma deficiente manipulação do comportamento simbólico que trata de uma aquisição exclusivamente humana.

Muitos autores tem defendido o método fonético como o mais adequado na alfabetização de disléxicos e não disléxicos. Os métodos fonéticos favorecem a aquisição e o desenvolvimento da consciência fonológica que é a capacidade de perceber que o discurso espontâneo é uma seqüência de sentenças e que estas são uma seqüência de palavras( consciência da palavra); que as palavras são uma seqüência de sílabas (consciência silábica) e que as sílabas são uma seqüência de fonemas (consciência fonêmica), o que auxiliaria muito nas dificuldades dos alunos disléxicos.

Para auxiliar o aluno disléxico em suas dificuldades, a escola deve dar encorajamento, atender e respeitar as capacidades e os limites da criança, estar informada, para amparar a criança em sua dificuldade, manter o professor da classe familiarizado e sensibilizado com a dislexia, para compreender e apoiar a criança, na sala de aula, reconhecer a necessidade de ajuda extra e desenvolver um clima de paciência, para que as crianças possam ter tempo suficiente para cumprir suas tarefas e, até mesmo, repeti-las várias vezes para retê-las.

É importante, também, conscientizar toda a comunidade escolar que estas “facilidades” dadas aos disléxicos, na verdade, representam a única forma que este tem para competir em igualdade de condições com seus colegas.

4. Sinais de dislexia na idade escolar:

Para Ianhez (2002) estes são sinais importantes de dislexia na idade escolar:

•Lentidão na aprendizagem dos mecanismos da leitura e escrita;
•Trocas ortográficas ocorrem, mas dependem do tipo de dislexia;
•Problema para reconhecer rimas e alterações (fonemas repetidos em uma frase);
•Desatenção e dispersão;
•Desempenho escolar abaixo da média, em matérias específicas, que dependem da linguagem escrita;
•Melhores resultados, nas avaliações orais, do que nas escritas;
•Dificuldade de coordenação motora fina (para escrever, desenhar e pintar) e grossa (é descoordenada);
•Dificuldade de copiar as lições do quadro, ou de um livro;
•Problema de lateralidade (confusão entre esquerda e direita, ginástica);
•Dificuldade de expressão: vocabulário pobre, frases curtas, estrutura simples, sentenças vagas;
•Dificuldade em manusear mapas e dicionários;
•Esquecimento de palavras;
•Problema de conduta: retração, timidez, excessiva e depressão;
•Desinteresse ou negação da necessidade de ler;
•Leitura demorada, silabadas e com erros. Esquecimento de tudo o que lê;
•Salta linhas durante a leitura, acompanha a linha de leitura com o dedo;
•Dificuldade em matemática, desenho geométrico e em decorar seqüências;
•Desnível entre o que ouve e o que lê. Aproveita o que ouve, mas não o que lê;
•Demora demasiado tempo na realização dos trabalhos de casa;
•Não gosta de ir a escola;
•Apresenta “picos de aprendizagem”, nuns dias parece assimilar e compreender os conteúdos e noutro, parece ter esquecido o que tinha aprendido anteriormente;
•Pode evidenciar capacidade acima da média em áreas como: desenho, pintura, música, teatro, esporte, etc;

O estudo da dislexia, em sala de aula, tem como ponto de partida a compreensão, das quatro habilidades fundamentais da linguagem verbal: a leitura, a escrita, a fala e a escuta. Destas, a leitura é a habilidade lingüística mais difícil e complexa, e a mais diretamente relacionada com a dificuldade específica de acesso ao código escrito denominada “dislexia”. (PINTO, 2003)

No caso da criança em idade escolar, a psicolinguística define a dislexia como um déficit inesperado na aprendizagem da leitura (dislexia), da escrita (disgrafia) e da ortografia (disortografia) na idade em que essas habilidades já deveriam ter sido automatizadas. É o que se denomina “dislexia de desenvolvimento”.

Para ensinar crianças com distúrbios de aprendizagem, é preciso conhecer os processos educacionais. Daí resulta a importância da pré-escola, que é a época propícia para desenvolver a capacidade cognitiva da criança normal ou mesmo disléxica, através de métodos ativos e baseados na psicologia, de Jean Piaget. É preciso então atender aos estágios de desenvolvimento mental da criança, sem pressa de alfabetizar, antes que ela esteja madura neurologicamente.

Para a criança disléxica, o método multissensorial surge com o objetivo de trabalhar a criança, para que aprenda a dar respostas automáticas duradouras (nomes, sons e fonemas) e desenvolver habilidades como sequenciar palavras. Na alfabetização, a introdução de cada letra, com ênfase na sua relação com o nome/som e com a importância em dar a sua forma correta, torna o ensino sistemático e cumulativo, e deverá ser avaliado regularmente, de forma a verificar a sua eficiência.

5. O papel do professor:

Coll ( 1995), propõem que os professores encontram-se normalmente, diante de um grupo de alunos com diferentes níveis , na área da comunicativo-linguística. Crianças que diferem quanto aos usos que fazem da linguagem, em função da procedência geográfica, social e cultural.

Os professores precisam estar atentos para esta realidade, e para as particularidades de seu grupo. Suspeitando dos sintomas, deve sugerir um encaminhamento clínico para a criança e após diagnosticado, o quadro, é necessário que ele se dedique muito ao aluno, em sala de aula, e ao longo do tratamento, que envolve em partes iguais a escola, a família e profissionais da saúde.

A primeira tarefa do professor é resgatar a autoconfiança do aluno. Descobrir suas habilidades para que possa acreditar em si mesmo ao se destacar em outras áreas.

O papel do professor é dirigir um olhar flexível para cada aluno que tenha dificuldade, é compreender a natureza dessas dificuldades, buscar um diagnóstico especializado, uma orientação para melhorar o dia-a-dia da criança, e se instrumentalizar, pois há muitos professores que lecionam e não sabem o que é dislexia.

Somos de opinião que o professor primário deve ele próprio construir os seus instrumentos de diagnóstico pedagógico (diagnóstico informal) a fim de conduzir a sua atividade mais coerentemente... é do maior interesse o uso de instrumentos que permitam detectar precocemente qualquer dificuldade de aprendizagem, pois só assim uma intervenção psicopedagógica pode ser considerada socialmente útil, pois quanto mais tarde for identificada a dificuldade, menos hipóteses haverá para solucionar corretamente. ( FONSECA, 1995)

O professor que deseja ajudar seus alunos, sabe que é necessário encaminhá-lo para tratamento e colaborar nesse tratamento. Mas ele sabe também, que o atendimento gratuito é sujeito a grande espera e que o nível econômico da maioria dos escolares, não permite tratamento particular. Só através de um trabalho paciente e constante, poderá prestar a ajuda, que a criança tanto necessita.

O ideal é trabalhar a autonomia da criança, para que ela não comece a sentir-se dependente em tudo. O professor deve acolher e respeitá-lo, em suas diferenças, sem cair no sentimento de pena.

Cabe ao professor recorrer a diversas atividades e técnicas de ensino e descobrir qual delas melhor se adapta a cada estudante e a cada situação.

É importante que o professor explique à criança o seu problema, sente ao lado dela, não a pressione com o tempo, não estabeleça competições com os outros, que seja flexível quanto ao conteúdo das lições, que faça críticas construtivas, estimule o aluno a escrever em linhas alternadas (o que permite a leitura da caligrafia imprecisa), certifique-se de que a tarefa de casa foi entendida pela criança, peça aos pais que releiam com ela as instruções, evite anotar todos os erros na correção (dando mais importância ao conteúdo), não corrija com lápis vermelho (isso fere a suscetibilidade da criança com problemas de aprendizagem), e procure descobrir os interesses e leituras que prendam a atenção da criança.

É de grande importância ressaltar, que a manutenção de turmas pequenas, com no máximo 20 alunos, ou menos, é de extrema relevância, para que o professor tenha oportunidade de observar de maneira adequada a todos os educandos, como também dispor de tempo para auxiliá-los.

6. Sugestões e recursos:

A ABD faz algumas sugestões visando a melhoria da AVD’s e qualidade de vida da criança disléxica, tais como:
•Estabelecer horários para refeições, sono, deveres de casa e recreações;
•As roupas devem ser arrumadas na sequência que ele vai vestir, para evitar confusões e preocupações à criança (simplificar usando zíper em vez de botão, sapatos e tênis sem cordão e camisetas);
•Quando for ensinar a amarrar os sapatos, não fique de frente para a criança, coloque-se ao seu lado, com os braços sobre o ombro dela;
•Marque no relógio, com palavras, as horas das obrigações. Isso evita a preocupação da criança;
•Para as crianças que tem dificuldades com direita e esquerda, uma marca é necessária. Isso pode ser feito com um relógio de pulso, um bracelete ou um botão pregado no bolso do lado favorito;
•Reforçar a ordem das letras do alfabeto, cantando e dividindo-as em pequenos grupos;
•Ensinar a criança a “sentir” as letras através de diferentes texturas de materiais, como areia, papel, veludo, sabão, etc;
•Ler histórias que se encontrem no nível de entendimento da criança;
•Instruir as crianças canhotas precocemente, para evitar que assumam posturas pouco confortáveis e mesmo prejudiciais, como encobrir o papel com a mão ao escrever;
•Providenciar para que a criança use lápis ou caneta grossos, com película de borracha ao redor, e que sejam de forma triangular;
•A criança disléxica confunde-se com o volume de palavras e números com que tem de se defrontar. Para evitar isso, arranjar um cartão de aproximadamente 8cm de comprimento por 2cm de largura, com uma janela no meio, da largura de uma linha escrita e comprimento de 4cm. Deslizando o cartão na folha à medida que a criança lê, ele bloqueia o acesso visual para as linhas de baixo e de cima e dirige a atenção da criança da esquerda para a direita.

A motivação é muito importante para a criança disléxica, pois, ao se sentir limitada e inferiorizada, ela pode se revoltar e assumir uma atitude de negativismo. Por outro lado, quando se vê compreendida e amparada, ganha segurança e vontade de colaborar.

Existem também alguns recursos e alternativas para que a criança consiga acompanhar a turma, entre eles:

•Dar a ele um resumo, do programa a ser desenvolvido;
•Iniciar cada novo conteúdo, com um esquema, mostrando o que será apresentado no período. No final, resumir os pontos-chaves;
•Usar vários recursos de apoio para apresentar a lição `a classe, além do quadro- negro: projetor de slides, retroprojetor, vídeos e outros recursos multimídia;
•Introduzir vocabulário novo ou técnico de forma contextualizada;
•Evitar dar instruções orais e escritas ao mesmo tempo;
•Avisar, com antecedência, quando houver trabalhos que envolvam leitura, para que o aluno, encontre outras formas de realizá-lo, como gravar o livro, por exemplo;
•Fazer revisões com tempo disponível para responder às possíveis dúvidas;
•Autorizar o uso de tabuadas, calculadoras simples, rascunhos e dicionários, durante as atividades e avaliações;
•Aumentar o limite do tempo para atividades escritas;
•Ler enunciados em voz alta e verificar se todos entenderam o que está sendo pedido;
•Usar gravador;
•Confecção, do próprio material para alfabetização, como desenhar e montar uma cartilha;
•Uso de gravuras e fotografias (a imagem é essencial);
•Material dourado (Material Curisineire);
•Folhas quadriculadas para matemática;
•Não deve ser forçada a ler em voz alta, em classe, a menos que demonstre desejo em fazê-lo;
•Uso de informática, como corretor ortográfico.

Entre alguns exemplos de atividades e técnicas aplicáveis ao disléxico, podemos destacar: colocar o aluno na primeira classe (para poder dar atenção especial a ele), repetir só para a criança o que disse para a classe, ler novamente um trecho do livro só para ela, corrigir atividades ao lado dela, dar um tempo maior para que faça o mesmo trabalho que os demais, substituir avaliações e outros trabalhos escritos por orais e utilizar programas oferecidos no mercado para montar uma metodologia de apoio ao aprendizado .


Disléxicos-Dicas/Materiais de Auxílio


A melhor abordagem perante uma aluno disléxico é a multisensorial, ou seja facilitar a aprendizagem utilizando todos os meios disponíveis: visual, auditivo, oral, tátil e cinestésico. Esta abordagem permite que o aluno use os seus pontos fortes. 

Assim, algumas dicas que poderão ajudar o professor no contexto de sala de aula:

-Interessar-se genuinamente pelo aluno disléxico e pelas suas dificuldades e especificidades e deixar que ele perceba esse interesse, para se sinta confortável para pedir ajuda;

-Na sala de aula, posicionar o aluno disléxico perto do professor, para receber ajuda facilmente;

-Repetir as novas informações e verificar se foram compreendidas;

-Dar o tempo suficiente para o trabalho ser organizado e concluído;

-Ensinar métodos e práticas de estudo;
-Encorajar as práticas da sequência de ver/observar, depois tapar, depois escrever e depois verificar, utilizando a memória;
-Ensinar as regras ortográficas;
-Incentivar o uso do computador como ferramenta de digitação de texto;
-Incentivar o uso do corretor ortográfico de um processamento de texto;
-Permitir a apresentação de trabalhos de forma criativa, variada e diferente: gráficos, diagramas, processamento de texto, vídeo, áudio, etc;
-Criar e enfatizar rotina para ajudar o aluno disléxico adquirir um sentido de organização;
-Elogiar,de forma verdadeira, o que aluno disléxico fizer ou disser bem, dando-lhe a oportunidade de “brilhar”;
-Incentivar a participação em trabalhos práticos;
-Nunca partir do pressuposto que o aluno disléxico é preguiçoso ou descuidado;
-Nunca fazer comparações com o resto da turma;
-Não pedir ao aluno disléxico para ler em voz alta na sala de aula;
-Não corrigir todos os seus erros (evitar o uso da cor vermelha, para não ser tão evidente os seus erros);
-Não insistir na reformulação, a menos que exista um propósito claro.

Quando se pretende criar algum tipo de material para disléxicos é importante ter em atenção vários fatores que podem facilitar a compreensão dos conteúdos:
-Use um tipo de letra clara e direita, tipo verdana, no tamanho 12 ou superior, preferencialmente num tom escuro;
-Use espaçamento de 1,5 ou 2;
-Opte pelo negrito em vez de itálico ou sublinhado;
-Use texto não justificado ou justificado à esquerda, os espaços brancos distraem o leitor disléxico;
-Faça frases e parágrafos curtos e objetivos;
-Estruture o melhor que for possível: use títulos, listas com números ou bolas, esquemas;
-Comece sempre uma nova frase no início da linha e não no fim da frase anterior;
-Opte pelas colunas em vez de linhas compridas;
-Use um fundo claro, mas sem ser branco;
-Use e abuse de imagens ou gráficos, ajuda o disléxico a reter a informação;
-Não use abreviações e evite a hifenização;
-Use caixas de texto, caneta marcador para evidenciar partes importantes.

Os pais precisam também aceitar o quadro e auxiliar.No coletivo,Família e Escola, os resultados serão mais eficazes. A seguir algumas dicas/estratégias viáveis e importantes:
-Incentivar a prática de exercício físico, em que se promova o atirar, capturar, chutar bolas, saltar e treinar o equilíbrio;
-Incentivar a prática de atividades lúdicas e artísticas, como dança, pintura ou outra que a criança se sinta inclinada;
-Incentivar o gosto pela leitura, usando a linguagem dos livros — as imagens, as palavras e as letras — para perceber que os livros podem ser analisados, lidos e desfrutados, vezes sem conta;
-Mostrar como segurar num livro, de que forma ele abre, onde começa a história, onde é o topo da página e que direção segue o texto, apreciar as imagens;
-Promover o aspecto cultural: visitar museus, assistir peças de teatro ou musicais,conhecer outras cidades, etc
-Ajudar a criança disléxica a aprender a seguir instruções, por exemplo, “por favor pega no lápis e coloca-o na caixa”, e fazer gradualmente sequências mais longas, por exemplo, “ir à prateleira, encontrar a caixa vermelha, trazê-la para mim”. Incentivar a criança disléxica a repetir a instrução antes de a realizar.

Fonte: http://educaja.com.br